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NOTÍCIA

33% mais recuperações judiciais no agro em 2026: o alerta pra quem tem CRA

Agronegócio registrou 517 pedidos de recuperação judicial no 1º tri de 2026, alta de 33%. R$ 38 bilhões em passivos sob stress. O que o assessor faz com CRA.

Lavoura de soja com área de solo seco ao lado representando crise financeira no agronegócio

33% mais recuperações judiciais no agro em 2026: o alerta pra quem tem CRA

O agronegócio registrou 517 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% em relação ao mesmo período de 2025. O dado é da Neot, empresa especializada em gestão de processos de insolvência. Se o ritmo se mantiver, 2026 vai bater o recorde histórico de quase 2.000 pedidos registrado em 2025. O volume de passivos sob stress já chegou a R$ 38 bilhões.

Lavoura de soja com área de solo seco ao lado representando crise financeira no agronegócio

O que aconteceu

Os 517 pedidos do primeiro trimestre estão distribuídos por toda a cadeia produtiva: 305 são de produtores rurais (pessoa física e jurídica), 83 de revendas e distribuidoras de insumos, 62 de agroindústrias e usinas, 41 de empresas de logística e armazenagem, e 26 de indústrias de insumos. Não é problema restrito ao pequeno produtor. Os R$ 31,5 bilhões concentrados em operações com passivo acima de R$ 30 milhões mostram que médias e grandes empresas agroindustriais estão no meio dessa crise.

Regionalmente, Goiás lidera com 113 solicitações, seguido de Mato Grosso (98), Rio Grande do Sul (62), Minas Gerais (56) e Paraná (54). As regiões que mais produzem são as que mais pedidos acumulam, e não é coincidência: soja e milho são os dois grãos mais impactados.

As causas identificadas pela Neot são uma combinação que vem se construindo há alguns anos: queda de preços de commodities desde 2022/23, crédito restrito com juros altos, quebra de safras em 2024 e excesso de oferta comprimindo margem. Julio Moretti, CEO da Neot, destaca que o principal fator é justamente a queda acentuada de preços a partir de 2022/23. O paradoxo do momento: 2026/27 tem expectativa de safra recorde em volume, mas o preço baixo continua corroendo a margem de quem precisa pagar dívida cara.

O recorde anterior era 2025, com quase 2.000 pedidos. O ritmo atual de 517 por trimestre coloca 2026 na trajetória de superar essa marca.

Por que isso importa pro assessor

CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) virou produto comum de renda fixa nas carteiras dos últimos anos. Quando o agro está no mato alto desse jeito, a pergunta que o cliente vai fazer antes do assessor chegar com a resposta é: o meu CRA está seguro?

A resposta depende do emissor por trás do CRA. Um CRA lastreado em recebíveis de grande exportadora com hedge cambial é diferente de um CRA pulverizado em produtores regionais de soja. A crise atual vai mais pelos segundos do que pelos primeiros, mas a quantidade de recuperações judiciais em revendas e distribuidoras de insumos (83 pedidos) é um sinal de contágio pela cadeia que vai além do produtor rural.

Quem tem cliente com exposição relevante em CRA de prazo longo precisa abrir o prospecto e entender o lastro. Não é pânico, é due diligence de rotina que muito assessor adiou porque o produto sempre pagou bem.

Minha leitura

Isso sinaliza que o ciclo de estresse do agro não terminou. O recorde de 2025 era pra ser piso. O ritmo do 1º tri de 2026 mostra que ainda está subindo.

Vale atenção a exposição em CRA com lastro em produtores regionais de Goiás e Mato Grosso, os dois estados com mais pedidos. Não por alarme, mas porque o momento pede revisão de due diligence em quem tem esses ativos em carteira.

O dado que mais preocupa é os R$ 31,5 bilhões concentrados em operações grandes. Quando o passivo passa de R$ 30 milhões, a recuperação judicial tem escala suficiente para impactar fornecedores, financiadores e toda a cadeia. É empresa com dívida bancária, com folha de pagamento, com contrato de longo prazo. Esse tamanho vai aparecer em balanço de quem financiou. Quem tem cliente exposto a crédito privado do agro precisa mapear antes do mercado precificar.

Fonte: Folha Mercado

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