Mercado FinanceiroWealth AdvisorSeguros & RiscoCorporateCarreiraPlanejamentoComercial SÁB · 25 JUL 2026 · 13:20 BRT
NOTÍCIA

FII é investimento de 10 anos, alertam gestores da XP e da Pátria

Na Expert XP 2026, gestores da XP Asset e Pátria Investimentos disseram que FII exige horizonte mínimo de 10 anos. O que muda na conversa com o cliente.

fachada de edifício corporativo moderno em São Paulo ao entardecer

FII é investimento de 10 anos, alertam gestores da XP e da Pátria

IFIX fechou 2025 em alta de 21,11%. Em 2026, acumula 0,76% até aqui. Não é sinal de que a classe piorou. É o que acontece quando juros altos comprimem cotação enquanto os fundamentos do imóvel físico seguem firmes. E a maioria dos clientes que você assessora não sabe distinguir essas duas coisas.

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O que aconteceu

Na Expert XP 2026 em São Paulo, Rodrigo Abbud, gestor da Pátria Investimentos, e Pedro Carraz, head de real estate da XP Asset, deram o mesmo recado com palavras diferentes: fundo imobiliário não é ativo de curto prazo.

“O fundo imobiliário é para o longo prazo. É um investimento defensivo”, disse Carraz. E completou com uma analogia que vale guardar: “Se alguém tivesse a possibilidade de comprar um shopping diretamente, não ficaria olhando o preço todos os dias.”

A lógica é simples. Quando você compra uma laje corporativa ou um galpão logístico de verdade, não abre o app todo dia pra ver se subiu. No FII acontece o mesmo, exceto que o mercado mostra a cotação em tempo real. A volatilidade de cota não é o ativo ficando ruim. É o mercado tendo uma opinião sobre ele. Os fundamentos ficam.

Abbud foi na mesma linha: “Os fundamentos do mercado imobiliário continuam favoráveis.” Vacância de escritórios em queda, e-commerce mantendo demanda por logística, shoppings com ticket médio crescendo mesmo com juro alto.

Os setores favoritos para 2026

Os dois gestores convergiram nos setores: logística e galpões (dividend yield estável, contratos longos), lajes corporativas (potencial de ganho de capital com crescimento de aluguel) e shoppings (resiliência demonstrada em ciclos anteriores de juro alto).

O horizonte mínimo que ambos citaram pra fazer sentido entrar na classe: 10 anos. Quem entra esperando resultado em 12 meses vai sofrer no primeiro semestre ruim e vai pedir resgate no pior momento.

Por que isso importa pro assessor

Você que tem FII na carteira dos seus clientes sabe o que acontece quando o IFIX cai 5% em duas semanas: o WhatsApp toca. “Por que tá caindo?” “Você não tinha falado que era bom?” “Melhor tirar?”

O recado dos gestores da Expert XP 2026 é também um roteiro de conversa com o cliente. Não você justificando o produto depois do susto, você educando o cliente antes do problema chegar. A analogia do shopping é boa pra isso na reunião de revisão de carteira: quem comprou participação num shopping bom não liga pra cotação mensal. Quem comprou a cota sem essa conversa, liga.

Se você alocou cliente em FII sem fechar o horizonte de 10 anos antes, você tem uma bomba de suporte esperando o próximo ciclo de juro alto. Resolve essa conversa agora. Quem deixa o cliente sem clareza de prazo está deixando dinheiro na mesa, não no produto, na relação. Cliente que pede resgate no fundo do ciclo dificilmente volta a ouvir sua recomendação.

Minha leitura

IFIX em 0,76% em 2026 com Selic acima de 13% é exatamente o que se espera. FII compete com renda fixa na curva curta, e quando o CDI está alto, o dividend yield do FII precisa parecer atrativo pelo carrego, não pela valorização de cota. A pressão é mecânica, não é sinal de calote ou vacância.

Vale atenção: quem tem cliente com horizonte real de 10 anos, 2026 com cota comprimida pode ser momento de construir posição em logística e escritórios. Quem tem cliente sem esse horizonte, cuidado com o tamanho da posição antes de alocar mais. O jogo aqui é de alocação cirúrgica, não de aposta num ciclo de queda de juro.

Fonte: Money Times

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