Gestora de US$340Bi avisa: o Fed pode subir juros e o crédito privado está no caminho
A Aegon Asset Management, com US$ 340 bilhões sob gestão, publicou uma análise que vai na contramão do consenso de mercado. O alerta vem direto do chefe de estratégia macro.

O que aconteceu
Frank Rybinski, chefe de estratégia macro da Aegon Asset Management, concedeu entrevista exclusiva à Exame Insight em que alertou para um risco que o mercado está precificando errado: a possibilidade de o Fed subir os juros nos próximos meses.
O Fed está com taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano desde dezembro de 2025. O consenso do mercado futuro embute dois cortes até a primavera de 2027. Rybinski discorda: “Hoje, o risco de corte de juros é menor do que o risco de aumento. O mercado futuro já precifica dois aumentos até a primavera de 2027.”
O alerta principal envolve o mercado de crédito privado americano. Entre 2010 e 2024, os ativos de crédito privado nos EUA saltaram de US$ 158 bilhões para quase US$ 2 trilhões. A taxa de default ficou em 0,5% nos 12 meses até o primeiro trimestre de 2024, contra cerca de 2% em outros segmentos.
O problema, segundo Rybinski, é que esse número baixo pode estar escondendo um atraso no reconhecimento de perdas. Os empréstimos de 2021 e 2022, feitos em ciclo de LBO (aquisições alavancadas), são chamados de “safras mais fracas”. Empresas de médio porte com alavancagem alta vão precisar refinanciar numa taxa de juros diferente da que foi planejada originalmente.
Sobre o real, ele reconheceu o desempenho forte: valorização de cerca de 18% desde o fim de 2024, quando estava acima de R$ 6,20, até julho de 2026, próximo de R$ 5,10. Mas foi direto na expectativa: “O real teve uma performance muito forte recentemente e provavelmente vai ter dificuldade em continuar se valorizando nesse ritmo.”
Por que isso importa pro assessor
Dois pontos concretos aqui.
Primeiro: cliente com exposição a crédito privado no exterior, especialmente em fundos que alocam em LBO americano de 2021 e 2022, está numa posição que merece revisão. Se o default rate estava artificialmente baixo, a normalização pode ser rápida e relevante.
Segundo: quem trabalha com carteira internacional e tem posição em real ou em ativos brasileiros dolarizados precisa calcular o cenário de real estacionado ou em queda. A Aegon não está dizendo que o Brasil vai mal, mas que o ciclo de valorização do real que beneficiou ativos locais para investidores estrangeiros tem fôlego limitado.
Minha leitura
Não é a primeira vez que uma gestora grande chega com esse tipo de alerta. Mas quando é uma gestora com US$ 340Bi e o alerta vem do chefe de estratégia macro, vale mais atenção do que um relatório de banco de varejo.
O ponto mais importante aqui é o crédito privado. O mercado passou anos usando baixas taxas de default como prova de qualidade do ativo. Rybinski coloca o dedo no que o mercado não quer ver: e se a taxa baixa é só atraso no reconhecimento de perda, não ausência de perda?
Quem tem cliente com crédito privado americano na carteira, vale uma conversa sobre o que acontece se o Fed subir mais uma vez.
Fonte: Exame





