ETFs de renda fixa crescem 72% e chegam na reunião com cliente
Os dados do primeiro trimestre de 2026 tiram o ETF de renda fixa do nicho. O patrimônio sob custódia cresceu 72% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 31,1 bilhões. O número de pessoas físicas com ETF na carteira cresceu 35%. Cedo ou tarde esse crescimento aparece do outro lado da mesa, na forma de pergunta sobre taxa.

O que aconteceu
Dados da B3 mostram que o mercado de ETFs de renda fixa passou por expansão expressiva no primeiro trimestre de 2026. O patrimônio sob custódia chegou a R$ 31,1 bilhões, alta de 72% sobre o mesmo período do ano anterior. O número de pessoas físicas com ETF cresceu 35% na comparação anual.
A captação total da indústria de ETFs no primeiro trimestre foi de R$ 17,8 bilhões. Os de renda fixa responderam por R$ 15,5 bilhões disso, ou seja, 87% do total captado no período.
Entre os produtos em destaque está o CDIB11, da Itaú Asset. O ETF tem alíquota fixa de 15% de Imposto de Renda sobre ganhos, diferentemente dos fundos de renda fixa de curto prazo, que seguem a tabela regressiva do IR, começando em 22,5%. Para prazos curtos, o ETF pode ter tratamento tributário mais favorável ao cliente.
Rodrigo Araujo, head de ETFs da Itaú Asset, atribuiu o crescimento a uma combinação de fatores. “O crescimento dos ETFs de renda fixa no Brasil não é resultado de um único fator. Foi uma combinação”, disse. “Hoje vemos o investidor utilizando o instrumento para diferentes objetivos.”
O produto cobre desde exposição a títulos do Tesouro Selic até NTN-Bs de longo prazo. A perspectiva da Itaú Asset é de continuidade: “a tendência é de expansão do mercado de ETFs de renda fixa no Brasil.”
Por que isso importa pro assessor
Quando 35% mais investidores passam a ter ETF de renda fixa na carteira, a pergunta sobre taxa vira inevitável. O cliente que descobre o CDIB11 com custo de gestão abaixo do fundo que o assessor alocou vai perguntar a diferença. Quem não tem resposta pronta, perde credibilidade na reunião.
O ponto tributário é o que mais abre espaço pra comparação: a alíquota de 15% do CDIB11 bate favorável antes da tabela regressiva do fundo convencional fazer sentido em prazos curtos. Para o cliente que precisa de liquidez com perfil conservador, esse detalhe importa e precisa entrar na conversa.
O assessor que não acompanha esse movimento tá virando gato gordo sem perceber. ETF de renda fixa não é o fim do fundo de gestão ativa, mas é um produto que precisa estar no vocabulário de quem atende base. Ignorar porque “sempre foi assim” não funciona mais quando o cliente já pesquisou no YouTube antes de chegar na reunião.
Minha leitura
Isso não é nicho. É tendência com número real: 72% de crescimento em AuC, 87% das captações de ETFs vindo de renda fixa. O produto ganhou tração e vai aparecer cada vez mais na conversa com cliente.
O que me preocupa pra quem está no comission é o seguinte: ETF de renda fixa tem custo mais baixo e, em alguns cenários, vantagem tributária. Isso comprime margem de distribuição. Não é o fim do modelo, mas é pressão real sobre o ROA.
Quem tem cliente com perfil de longo prazo e já entende a diferença entre exposição ativa e passiva consegue usar ETF como ferramenta de planejamento, não como ameaça. Quem ignora vai perder a conversa.
Fonte: Suno Notícias





