Habib’s na beira do abismo: o alerta pra quem alocou crédito de varejo
O grupo Habib’s tem até 1º de setembro para fechar acordos com credores e evitar entrar com pedido de recuperação judicial. São R$ 312,4 milhões em dívida acumulada, prazo curto e bancos que, historicamente, não colaboram fácil. A rede opera quase 500 pontos entre Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, mas a marca não protege ninguém de um balanço furado.

O que aconteceu
O juiz Jomar Juarez Amorim concedeu proteção judicial ao Habib’s em 1º de julho. Em 3 de agosto, a 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial ampliou essa proteção. O grupo ganhou um prazo para tentar formalizar acordos com o conjunto de credores antes de precisar entrar com pedido formal de recuperação judicial.
Em 12 de agosto, o juiz Tasso Duarte de Melo determinou a liberação de R$ 3,3 milhões que estavam retidos pelo Daycoval em recebíveis e contas da rede. O banco tinha até R$ 50 mil por dia de multa se não liberasse, com teto de R$ 3 milhões. A Justiça precisou obrigar o banco a soltar o dinheiro.
Em paralelo, uma ação de despejo foi iniciada em 5 de agosto em uma unidade de São Bernardo do Campo, com valor de R$ 393 mil, equivalente a 12 meses de aluguel e encargos. Também foi formalizado um acordo com a Bamko, fornecedora de pelúcias promocionais, em 10 parcelas totalizando R$ 455,7 mil de uma dívida original de R$ 4,5 milhões.
O grupo opera com cerca de 300 lojas Habib’s, 200 Ragazzo e 7 restaurantes Tendall Grill. O fundador é Antônio Alberto Saraiva, e o administrador atual é Belchior Saraiva Neto.
O advogado Fernando Canutto, especialista em direito empresarial, resumiu o cenário: “O prazo é curto para negociar com todos os credores. E os bancos normalmente nunca colaboram e sempre procuram a Justiça para executar as dívidas.”
Por que isso importa pro assessor
Crédito privado de empresas do varejo e foodservice costuma aparecer nas carteiras de clientes via debentures, CRAs, CRIs vinculados ao setor ou CCBs de bancos parceiros das redes. Se você tem cliente com alguma posição em instrumento ligado ao grupo Habib’s ou a operações do Daycoval com essa categoria de recebíveis, vale revisar o que está na carteira agora.
O alerta vai além do Habib’s. Uma empresa com quase 500 operações, marca de 35 anos e presença nacional chegou a R$ 312MM de dívida com 30 dias pra fechar acordo ou entrar em recuperação. O risco de crédito no varejo não aparece no rating até aparecer de verdade.
Minha leitura
O caso Habib’s sinaliza que o risco de crédito no varejo brasileiro está mais pesado do que o mercado reconhece. Quando uma rede com esse tamanho precisa da Justiça pra liberar recursos retidos em banco, o mato tá mais alto do que o papel mostra. Vale atenção a qualquer posição de crédito privado que tenha como lastro recebíveis de redes de franquias ou foodservice na carteira do cliente. Quem tem cliente exposto deve verificar o rating atual e as condições de liquidez do instrumento antes de setembro.
Fonte: NeoFeed




