CDI já não basta em agosto: onde a XP vê oportunidade na renda fixa
Quem está com toda a carteira do cliente concentrada em pós-fixado pode estar perdendo janela. A XP Research atualizou em agosto sua leitura de renda fixa e o recado é direto: CDI continua na base, mas não como destino único. IPCA, prefixado e crédito privado selecionado entraram no radar da gestora para quem está pensando onde colocar dinheiro novo.

O que aconteceu
A XP Research divulgou sua estratégia de renda fixa para agosto de 2026. A tese central é que o ciclo de queda da Selic está chegando perto do fim, e manter patrimônio 100% em pós-fixado “pode limitar oportunidades” se os juros continuarem recuando.
Os ativos CDI não saem da composição. Tesouro Selic (LFT 2029) e CDBs de grandes bancos ficam como opção de liquidez e reserva. A gestora chama isso de “combinação interessante entre rentabilidade, liquidez e menor volatilidade”. Mas perdeu exclusividade.
O espaço que o CDI abre vai pra dois lugares principais: IPCA e prefixado. Nos títulos IPCA, a XP indica a NTN-B Principal com vencimento em maio de 2035, pagando IPCA + 7,39% ao ano. Para quem prefere isenta de IR, debêntures incentivadas de infraestrutura chegam a IPCA + 8,15% ao ano.
O prefixado entra como aposta direcional para quem acredita que os juros vão cair mais. A recomendação é focar em vencimentos intermediários, sem esticar pra longo prazo.
No crédito privado, a XP recomenda limite de 5% por emissor. Sem cobertura de FGC. Exige atenção ao risco de crédito e à liquidez, que pode secar rápido se o mercado mudar de humor.
Por que isso importa pro assessor
O assessor que está com base pesada em pós-fixado precisará ter essa conversa com o cliente em breve, se já não está tendo. O argumento de “CDI tá pagando bem” tem prazo de validade. Quando o Banco Central sinalizar corte, o pós-fixado perde rendimento na hora. O IPCA trancado hoje garante spread real por anos. Crédito privado selecionado pode adicionar retorno, mas exige critério de concentração.
A pergunta que fica é se o cliente sabe que a carteira de renda fixa precisa de ajuste. Quem deixa pra ter essa conversa depois fica na defensiva. Quem tem agora sai na frente com proposta estruturada antes de o cliente perguntar.
Minha leitura
IPCA + 7,39% no NTN-B é patamar que o histórico mostra ser bom ponto de entrada pra longo prazo. Não é previsão, é dado. Vale atenção especial ao crédito privado: o limite de 5% por emissor não é conservadorismo exagerado. Quem aloca pesado no mesmo papel e o mercado vira sabe o que acontece. O mato alto do crédito privado é exatamente esse: concentração disfarçada de diversificação. Quem tem cliente exposto deve revisar a composição antes de precisar explicar.
Fonte: Suno Notícias





