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NOTÍCIA

Governo acumula R$ 92 bi de rombo: pior semestre em quase 30 anos

Governo fecha semestre com déficit de R$ 92,2 bi, segundo pior desde 1997. Despesas crescem 12,3% real enquanto receita avança apenas 5,6%.

Fachada do Tesouro Nacional em Brasília ao entardecer

Governo acumula R$ 92 bi de rombo: pior semestre em quase 30 anos

O governo Lula fechou o primeiro semestre de 2026 com déficit primário de R$ 92,2 bilhões. É o segundo pior resultado da série histórica, que começou em 1997, ficando atrás só de 2020, o ano da pandemia. Em junho, o rombo mensal foi de R$ 48,2 bilhões, R$ 4 bi acima de junho do ano passado. Os dados foram divulgados hoje (30) pelo Tesouro Nacional.

Fachada do Tesouro Nacional em Brasília ao entardecer

O que aconteceu

As contas do governo deterioraram rápido no semestre. Despesas cresceram 12,3% em termos reais, enquanto a receita líquida avançou apenas 5,6%. A arrecadação chegou a R$ 1,58 trilhão no semestre, recorde histórico desde 1995. Mesmo assim, o rombo cresceu.

Três frentes puxaram o gasto. Benefícios previdenciários adicionaram R$ 44,8 bilhões a mais em relação ao mesmo período do ano anterior. Despesas discricionárias subiram R$ 41,9 bi. Sentenças judiciais e precatórios cresceram R$ 35,6 bi. Pessoal e encargos somaram mais R$ 20,5 bi.

A Previdência Social (RGPS) concentra boa parte do problema. Em junho, o déficit do regime foi de R$ 50,5 bilhões. No semestre, acumulou R$ 236,2 bilhões de rombo, uma máquina de queimar caixa que não tem freio visível no curto prazo.

O indicador de 12 meses mostra déficit primário de R$ 144,1 bilhões, ou 1,08% do PIB.

A meta do governo para 2026 é um superávit primário de R$ 34 bilhões, com tolerância de zero a R$ 68 bi. Para chegar lá, o segundo semestre precisa de uma virada expressiva. A própria projeção oficial do Tesouro aponta superávit de R$ 10,8 bilhões ao final do ano, mas exclui despesas específicas da conta.

Por que isso importa pro assessor

Déficit crescendo mais rápido que a receita, em ano eleitoral, com a Previdência consumindo R$ 50 bi por mês, alimenta desconfiança sobre a trajetória da dívida pública. Quando o mercado começa a duvidar do fiscal, os prêmios de risco dos títulos longos sobem. E quem sofre é quem tem cliente alocado em prefixado longo ou IPCA+ com vencimento distante.

Dados como esse também estreitam a janela para corte de juros. Se o fiscal não fecha, o Banco Central tem menos espaço para mexer na Selic. Isso afeta diretamente a atratividade de crédito privado e fundos de renda fixa que trabalham com expectativa de queda de taxa. Quem tem cliente exposto em títulos longos prefixados ou IPCA+ acima de 2030 precisa ter esse dado na cabeça na próxima revisão de carteira.

Minha leitura

O fiscal tá no mato alto. A arrecadação bateu recorde histórico e o déficit ainda é o segundo pior em 29 anos. Isso sinaliza que o problema não é de receita. É de estrutura de gasto, especialmente Previdência e precatórios, que crescem sem teto visível. Com essa trajetória, a janela pra corte de juros fica mais estreita. Vale atenção a quem tem cliente exposto em títulos longos prefixados.

Fonte: Exame

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