Cury e Cyrela no topo da B3: juro cede e o que muda pra carteira
Cury (CURY3), Cyrela (CYRE3) e MRV (MRVE3) lideraram as altas da B3 nesta quinta (30), com ganhos de 4,75%, 4,09% e 3,05% respectivamente. A Direcional (DIRR3) subiu 2,52%. O gatilho foi a percepção de que os juros podem cair mais rápido: dados de inflação mais benignos nos EUA reforçaram a leitura de que o Fed deve manter taxas estáveis, e os indicadores domésticos de inflação vieram abaixo do esperado no Brasil, favorecendo a continuidade do ciclo de corte da Selic.

O que aconteceu
O setor de construção civil é um dos mais sensíveis a variações nas taxas de juros longas da B3. Quando a expectativa de queda da Selic avança, as incorporadoras são das primeiras a reagir, porque o custo do financiamento imobiliário e a atratividade dos títulos de crédito lastreados no setor dependem diretamente desse patamar.
Artur Horta, da GTF Capital, resumiu bem: “como o setor é o mais correlacionado com juros longos, ele está operando hoje em forte alta.” Davi Khattar, da Atlas One Investimentos, reforçou que “o setor de construção é bem sensível às variáveis macro como juros e inflação.”
Mas a foto do dia esconde uma tungada relevante no ano. A MRV, que subiu 3% hoje, acumula queda de 38,6% em 2026. A Direcional, segunda maior alta da sessão, cai 16,58% no acumulado do ano. Cyrela recua 9,81% e Cury, 4,06%.
Marco Saravalle, da Krivo Capital, observou que as empresas mantêm “fundamentos sólidos” e estão “gerando caixa e mantendo boas margens”, mas apontou ritmo mais lento de vendas em alguns segmentos de média e alta renda em São Paulo.
Por que isso importa pro assessor
Quem tem cliente com exposição a construtoras ou está pensando em alocar no setor precisa separar dois filmes: o filme do dia (juro cede, setor sobe) e o filme do ano (MRV caiu 38%, o macro não foi suficiente pra sustentar o preço).
O risco aqui é colocar cliente em construtora apostando na queda de juros e, se o ciclo de afrouxamento desiludir, ver a carteira voltar pra queda acumulada. O setor gera caixa, tem margens, mas as vendas em SP estão mais lentas do que o mercado esperava. A alta de hoje é macro, não é resultado. E macro pode virar rápido.
Minha leitura
Setor que cai 38% em 8 meses e sobe 3% num dia por causa de dado de inflação nos EUA: é o jogo do beta alto, que amplifica tudo. Vale atenção a quem vai colocar cliente em construtora achando que a virada do juro vai fazer o trabalho sozinha. Os fundamentos do setor estão razoáveis, mas as vendas em alta renda desaceleraram. Antes de alocar, olha o resultado, não só a expectativa.
Fonte: Exame





