A ANBIMA quer tokenizar fundos e debêntures: o que vem por aí
A ANBIMA está testando uma infraestrutura blockchain para fundos e debêntures tokenizados no mercado de capitais brasileiro. O projeto é real, está em andamento agora, e os resultados devem indicar onde a regulação do setor vai precisar mudar.

O que aconteceu
Marcelo Billi, head de sustentabilidade, inovação e educação da ANBIMA, explicou em entrevista ao podcast Future of Money da Exame como funciona o projeto de tokenização de ativos que a associação está desenvolvendo.
O projeto cria contratos inteligentes e uma estrutura blockchain voltada a testes com dois tipos de ativo: fundos e debêntures. A ideia é rodar essas experiências num ambiente de ledger distribuído antes de qualquer mudança regulatória definitiva. Os resultados vão mostrar onde a regulação atual funciona, onde trava, e o que precisa ser ajustado.
Fundos tokenizados e debêntures tokenizadas são versões digitais desses ativos emitidas e registradas em blockchain. Na prática: a transação acontece sem o intermediário tradicional, com liquidação mais rápida e auditoria automatizada via contrato inteligente. O modelo muda radicalmente o ciclo de liquidação e o custo operacional do produto.
A ANBIMA não está fazendo isso no vácuo. O projeto é parte de um movimento maior do mercado de capitais brasileiro de preparar o terreno regulatório antes que os produtos tokenizados cheguem em escala. O que sair desses testes vai embasar o debate com CVM e Banco Central sobre as normas que virão.
A entrevista também abordou o perfil de investimento da Geração Z. Esse público já investe em criptoativos com naturalidade. Quando debêntures e fundos chegarem em formato tokenizado, a barreira de entrada pra esse cliente vai cair. O mercado está testando os ativos antes de o cliente chegar pedindo.
Por que isso importa pro assessor
Debêntures e fundos são produtos centrais de quem atende cliente no Brasil. Crédito privado, debêntures de infraestrutura, fundos de renda fixa: todos esses instrumentos estão no escopo do projeto da ANBIMA. Quando a associação testa tokenização desses ativos, está sinalizando pra onde a regulação vai caminhar.
Não é pra amanhã. Mas o ciclo regulatório no Brasil leva tempo. O que está sendo testado em 2026 vai virar norma entre 2028 e 2030. O assessor que entender essa mecânica agora vai conseguir explicar pra cliente, vai saber posicionar quando o produto aparecer na plataforma, e não vai ficar correndo atrás de atualização na véspera.
Tem um ponto prático mais imediato: a Geração Z está chegando como novo perfil de cliente. Esse público já aloca em criptoativos sem hesitar. Quando debêntures e fundos chegarem em formato tokenizado, a conversa com esse cliente fica mais fácil pra quem já entende o produto antes de cair na reunião.
Minha leitura
Tokenização tem soado como pauta de palestrante de fintech. A ANBIMA testando com debêntures e fundos muda esse enquadramento. Isso é a associação do mercado de capitais preparando o caminho regulatório, não laboratório de startup.
Vale atenção especialmente pra quem trabalha com crédito privado. Debênture tokenizada vai mudar liquidez, fracionamento e acesso ao produto. O mercado está em mato alto ainda, mas o caminho está sendo aberto.
Fonte: Exame





