OPA da Braskem chega com contrapartida em debênture: o que fazer com BRKM5
O FIP Shine I, fundo controlado pela IG4 Capital, protocolou junto à CVM e à B3 um pedido de oferta pública de aquisição de ações (OPA) da Braskem (BRKM5). O objetivo é adquirir 100% das ações ordinárias e preferenciais da petroquímica. O pedido foi registrado dias após a conclusão da compra do controle, que estava na mão da NSP Investimentos (holding da Novonor, ex-Odebrecht). A OPA ainda aguarda aprovação da CVM e B3 para ser lançada oficialmente.

O que aconteceu
A IG4 Capital concluiu a compra do controle da Braskem há poucos dias. Com a conclusão, o FIP Shine I passou a deter 50,1% das ações com direito a voto. A Petrobras mantém participação de 47%. O pedido de OPA é obrigação legal decorrente da mudança de controle: quem assume o bloco controlador precisa dar ao minoritário a opção de sair nas mesmas condições do negócio.
O detalhe mais relevante para quem tem BRKM5 na base de clientes está na forma de pagamento. A contrapartida da OPA segue a estrutura usada na compra do controle: debêntures emitidas pela NSP Investimentos, a holding que era controladora da Braskem. Em outras palavras, acionistas que aceitarem a OPA não recebem caixa – recebem papel de dívida da Novonor/Odebrecht, que ainda está em processo de reestruturação.
A nova diretoria executiva já foi empossada. Helcio Tokeshi, sócio da IG4 Capital, assumiu o cargo de CEO, substituindo Roberto Prisco Paraiso Ramos. O CFO é Carlos Augusto Machado Pereira de Almeida Brandão. Camilla Tedeschi de Toledo Tápias assume a diretoria jurídica e Luiz Gustavo Perrotti Rossato a diretoria de transformação. No conselho de administração, Magda Chambriard, atual presidente da Petrobras, ocupa a presidência. Os mandatos do conselho vão até a AGO de 2028.
A Braskem é o maior produtor de resinas termoplásticas das Américas. A troca de controlador – de Novonor pra IG4 – foi acompanhada de expectativa por melhora operacional e redução de alavancagem.
Por que isso importa pro assessor
Clientes com BRKM5 em carteira precisam entender o que fazer antes do prazo da OPA. A decisão não é trivial, porque a contrapartida não é em dinheiro. Aceitar a OPA significa receber debêntures da NSP Investimentos, entidade que carrega o histórico de reestruturação do grupo Novonor. Dependendo do perfil do cliente, trocar ação de empresa em recuperação operacional por dívida de holding em recuperação pode não fazer sentido.
Quem não aceitar a OPA fica como acionista da Braskem controlada pela IG4, com Petrobras como sócia relevante (47%) e Magda Chambriard presidindo o conselho. É um cenário diferente do anterior: saiu a Novonor, entrou gestor financeiro com histórico de turnaround. Isso tem leitura distinta dependendo do horizonte e do perfil do cliente.
O prazo exato e as condições finais da OPA ainda dependem de aprovação da CVM e B3. Acompanhar o comunicado oficial antes de orientar o cliente.
Minha leitura
Isso sinaliza um evento corporativo que precisa de atenção ativa de quem tem BRKM5 na carteira. A estrutura de OPA com debêntures da NSP como contrapartida é o ponto que merece mais cuidado antes de qualquer orientação ao cliente: não é liquidez imediata, é crédito privado de holding em reestruturação.
O jogo aqui é decidir se o cliente prefere sair agora via OPA (com risco de crédito da Novonor) ou aguardar com a IG4 no comando tentando virar a Braskem. Nenhuma das duas respostas é universalmente certa. Depende do prazo do cliente, do tamanho da posição e do quanto de Novonor já está na carteira por outras vias.
Vale atenção a quem tem posição relevante em BRKM5 e ainda não revisou a tese depois da mudança de controle. Deixar o cliente decidir sem informação sobre a estrutura da OPA é deixar dinheiro na mesa, ou pior, trocar ação por papel de risco que ele não entende.
Fonte: Money Times


