Minerva estuda sair da B3: OPA pode chegar pra quem tem BEEF3
A família Vilela de Queiroz e o fundo saudita Salic estão estudando uma OPA para fechar o capital da Minerva Foods na B3. Com 53% já nas mãos dos controladores, a operação precisaria de R$ 1,5 a R$ 2,3 bilhões – financiados por mais dívida, num ambiente de Selic a 14,75%. A ação do BEEF3 subiu 3,34% só com o rumor. Quem tem esse papel na base precisa entender o que está em jogo.

O que aconteceu
A Coluna Capital do jornal O Globo revelou que a Minerva Foods está avaliando uma OPA para encerrar sua presença na Bolsa de Valores brasileira. A empresa acumula queda de 28% em 2026, e os controladores – família Vilela de Queiroz junto com o fundo saudita Salic – já detêm mais de 53% do capital. O free float ainda em circulação é de 45%.
Para viabilizar a saída da bolsa, a operação precisaria de pelo menos R$ 1,5 bilhão para atingir os dois terços necessários, ou de até R$ 2,3 bilhões para adquirir 100% das ações com prêmio de 30% sobre o preço atual. O financiamento viria por emissão de dívida absorvida pelo próprio balanço da Minerva. Os controladores estimam que a operação levaria de quatro a seis meses para ser concluída.
A motivação declarada pelos controladores é que o mercado não precificou adequadamente as sinergias da compra das operações sul-americanas da Marfrig, transação de R$ 7,5 bilhões concluída há dois anos. No entendimento deles, o papel está descontado e o melhor movimento é recomprar o que está na mão do minoritário. O plano de longo prazo contempla uma eventual relistagem na bolsa saudita.
No dia da notícia, BEEF3 subiu 3,34%, refletindo a expectativa de OPA com prêmio. A ação ainda acumulava perda de 28% no ano.
Por que isso importa pro assessor
Quem tem BEEF3 na base com cliente no vermelho acaba de ganhar um ângulo novo: uma OPA com prêmio de 30% muda o cálculo de quem aguenta o papel depreciado esperando recuperação pelos fundamentos. Se a operação sair, é evento de liquidez. Mas o prêmio só materializa se a empresa conseguir levantar R$ 1,5 a R$ 2,3 bilhões em dívida com a Selic onde está.
Operações desse tipo têm prazo longo. O assessor precisa alinhar a expectativa do cliente agora: rumor não é OPA confirmada, e o papel ainda está 28% abaixo do início do ano. Quem entrou pensando em recuperação de fundamentos tem uma tese nova, mas ela ainda depende de execução financeira pesada.
Minha leitura
O argumento dos controladores tem coerência: a aquisição da Marfrig Sul-América foi uma transformação real de escala, e o mercado pode de fato não ter precificado as sinergias. O problema está no financiamento. Empilhar mais dívida a juro alto pra recomprar papel já pressionado é aposta pesada, e o histórico de empresas saindo da bolsa via endividamento forçado não é tranquilo.
Se a OPA sair com prêmio de 30%, quem segurou o papel numa posição perdedora vai ter deixado menos dinheiro na mesa do que parecia um mês atrás. Vale ficar de olho. Mas eu não revisaria a base inteira esperando isso.
Fonte: Exame





