Mercado FinanceiroWealth AdvisorSeguros & RiscoCorporateCarreiraPlanejamentoComercial SEG · 08 JUN 2026 · 20:00 BRT
NOTÍCIA

R$ 60 bi em fundos sustentáveis: quando seu cliente vai te perguntar sobre isso?

Fundos IS chegam a R$ 60 bilhões com 330 mil cotistas e metade batendo CDI. O que o assessor precisa saber antes do cliente perguntar.

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R$ 60 bi em fundos sustentáveis: quando seu cliente vai te perguntar sobre isso?

Os fundos de Investimento Sustentável chegaram a R$ 45,9 bilhões em patrimônio líquido em abril de 2026. Somando os fundos ligados a sustentabilidade fora da classificação IS formal, a indústria passa de R$ 60 bilhões. São 202 fundos, mais de 330 mil cotistas, e crescimento de mais de 6x desde dezembro de 2023, quando o setor tinha R$ 7,5 bilhões.

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O que aconteceu

O setor de fundos IS saiu do hype das declarações de COP para os números de verdade. Dados da ANBIMA mostram que em abril de 2026 o patrimônio chegou a R$ 45,9 bilhões, contra R$ 28,1 bilhões em dezembro de 2024 e R$ 7,5 bilhões em dezembro de 2023.

Renda fixa responde por 74% do total (R$ 33,9 bilhões), com FIPs em 11%, FIDCs em 5%, multimercados e ações respondendo por 4% cada.

O número que mais chama atenção: cerca de metade dos fundos IS com janela de 12 meses superou o CDI de 14,8%. Não é performance garantida, mas é suficiente para derrubar o argumento de que “sustentável sacrifica retorno”.

As gestoras que cresceram mais rápido

A Régia Capital é o caso mais expressivo: saiu de R$ 500 milhões em maio de 2024 para mais de R$ 16 bilhões em abril de 2026. Menos de dois anos. O fundo foca em crédito privado de devedores com critérios ESG.

A BNP Paribas Asset Management aponta um dado relevante para quem trabalha com crédito privado: “Muitas gestoras de crédito tiveram problemas com defaults e nós nunca tivemos. Porque todas essas empresas não passaram pela nossa análise ESG”, afirmou Henri Rysman, da gestora. O argumento é que empresas com boa governança quebram menos.

A SulAmérica Investimentos soma cerca de R$ 14 bilhões em fundos ESG. A BB Asset destaca que a base de cotistas menores de 17 anos cresceu 2.100% em 18 meses, sinal do vetor geracional puxando a demanda. O Itaú Asset gerencia mais de R$ 85 bilhões em estratégias sustentáveis globais e prepara estratégia ESG de renda fixa para previdência privada.

O movimento institucional avança via Resolução Previc nº 23, que criou incentivos para fundos de pensão alocarem em fundos IS. Carlos Takahashi, da ANBIMA, observou que “a diferença ocorre mais no longo prazo, mas essa janela já mostra resultados bem positivos”. A Vinci Compass lançou fundo com target de R$ 1,2 bilhão focado em agronegócio, saúde, varejo e serviços.

O Bradesco Asset e o Itaú Asset reportam interesse crescente de private banking e family offices. A COP30 reforça o vetor institucional, com parceria público-privada em financiamento de infraestrutura sustentável.

Por que isso importa pro assessor

Dois movimentos em paralelo aqui, e os dois chegam na mesa do assessor cedo ou tarde.

O primeiro é geracional. Clientes mais jovens, que estão começando a herdar e transferir patrimônio, chegam com essa pauta na mão. O assessor que ficou na velocidade de cruzeiro enquanto a indústria de fundos IS crescia 6x em dois anos vai ter trabalho redobrado quando o filho de 35 anos do cliente de 70 assumir o patrimônio e perguntar por que não tinha nada sustentável na carteira.

O segundo é comercial. O argumento de “sustentável sacrifica retorno” ficou mais difícil de sustentar com R$ 60 bilhões sob gestão e metade dos fundos batendo CDI de 14,8%. Se o cliente já perguntou sobre isso e você não tinha resposta, vale montar uma agora.

O setor ainda representa menos de 1% do patrimônio total da indústria brasileira de fundos. Mas o ritmo de crescimento (de R$ 7,5 bi para R$ 45,9 bi em dois anos e meio) e os vetores de demanda (Previc, private banking, gerações mais jovens) indicam que essa pauta vai aumentar.

Minha leitura

Esse crescimento não é pauta de ESG de discurso. É crédito privado com uma camada de filtro de governança. E a tese da BNP é direta: empresa com boa governança tende a ser um devedor melhor. Quem passou pela análise ESG da BNP não deu default. Isso não é filantropia, é seleção de risco.

Vale atenção a um ponto importante: metade dos fundos IS bateu CDI nos últimos 12 meses, o que também significa que a outra metade não bateu. O filtro ESG ajuda a evitar default em alguns casos, mas não é proteção automática contra retorno abaixo do benchmark. O assessor que colocar isso na carteira do cliente precisa entender o que tem dentro do fundo, não só o selo IS na capa.

O jogo aqui é diferente do que o título da matéria original entrega. Não é “sustentável bate CDI sempre”. É “crédito privado bem selecionado pode bater CDI, e o filtro ESG ajuda na seleção de devedor”. É uma distinção pequena na frase, mas faz diferença quando o cliente perguntar como foi o semestre.

Fonte: NeoFeed

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