Tese da piscina olímpica: por que a Encore está otimista com a B3 agora
O Ibovespa saiu de quase 200 mil pontos para 169 mil em cinco meses. Investidor estrangeiro retirou R$ 15 bilhões do Brasil só em maio – a maior saída desde 2022. E no meio disso tudo, João Luiz Braga, sócio da Encore Asset, diz que está “super otimista” com a bolsa e que estamos no começo de um ciclo positivo. Por quê?
O que aconteceu
Em entrevista ao programa Café com Investidor (NeoFeed e CNN Brasil), Braga apresentou o que chama de “teoria da piscina olímpica”: o capital global ficou concentrado nos EUA por 17 anos. Quando uma fração mínima desse volume decide sair para diversificar, o impacto numa bolsa do tamanho da B3 é desproporcional. É como jogar um balde numa piscina olímpica – no Brasil, isso move o ponteiro.
“Pouco fluxo faz muita diferença para a gente. Essa é a teoria da piscina olímpica”, resumiu Braga.
A Encore identifica três ondas de capital externo no Brasil recente. A primeira, no final de 2024: investidores já familiarizados aproveitaram as quedas do cenário fiscal. A segunda, em janeiro de 2026: o chamado “smart money” global buscou diversificação rápida via índices. A terceira – e que Braga considera a mais relevante – é a atual: gestores internacionais analisando empresas brasileiras diretamente, em parceria com casas locais.
Uma diferença que o sócio da Encore destaca: o investidor estrangeiro não reage ao fiscal da mesma forma que o local. Ele olha comparativo internacional, trajetória de reformas e diversificação fora dos EUA. “O estrangeiro tem mais medo da reação do local ao fiscal do que do fiscal em si”, afirmou.
Vale notar que o saldo de fluxos estrangeiros no acumulado de 2026 ainda está positivo em cerca de R$ 44 bilhões, mesmo com a saída de maio. A principal aposta da Encore está na Smart Fit, com projeção de crescimento de lucro acima de 30% ao ano pelos próximos três anos e avaliação em torno de 9 vezes o lucro. A casa está pessimista com agronegócio.
Por que isso importa pro assessor
Para quem está trocando pneu com o carro andando – cliente que zerou renda variável no pico do ruído fiscal e agora quer saber quando voltar – a tese da piscina olímpica dá argumento técnico para ter essa conversa agora, não depois.
Se a terceira onda que a Encore descreve começar a engrossar (gestores internacionais comprando papel brasileiro direto, não só via índice), o movimento pode acontecer antes do assessor local perceber. Clientes com posição em renda variável podem ver recuperação relevante no segundo semestre. Quem precisar de argumentação técnica para a revisão de alocação tem mais embasamento aqui do que no calendário eleitoral de 2026.
Minha leitura
A tese é interessante e o histórico da Encore como gestora é respeitável. Mas convém separar o argumento da conclusão. O argumento – de que a B3 reage de forma assimétrica a pequenos fluxos externos – é válido e bem sustentado pelos dados. A conclusão – que estamos “no começo de um excelente ciclo” – é uma projeção. Juros ainda estão altos, fiscal ainda tem pressão, e o ciclo eleitoral vai começar a aparecer no preço mais cedo do que parece. Usar a tese da piscina olímpica para revisitar alocação de renda variável com cliente faz sentido. Transformar isso em “compra tudo agora” não faz.
Fonte: NeoFeed


