Laqus compra goLiza e consolida aposta como alternativa à B3
A Laqus acaba de comprar 100% da goLiza, fintech fundada em 2018 com foco em cadastro e formalização de operações no mercado de capitais. A operação foi paga em dinheiro e troca de ações, com valor não divulgado. Para quem não conhece a Laqus: ela é, segundo o próprio CEO Rodrigo Amato, “a única depositária de valores mobiliários operacional concorrente com a B3” no Brasil.

O que aconteceu
A Laqus foi criada em 2010 como Mark 2 Market e passou por um processo longo de transformação antes de se consolidar como depositária independente. O processo de autorização regulatória levou três anos e meio. Desde então, a empresa cresceu dez vezes em cinco anos e hoje fatura cerca de R$ 40 milhões por ano, com crescimento projetado de 30% a 40% ao ano.
A compra da goLiza é a segunda aquisição da Laqus em 2026. Em fevereiro, a empresa havia adquirido a Estar Finance. O objetivo, nas duas operações, é o mesmo: integrar as camadas fragmentadas do mercado de capitais numa plataforma única.
“O mercado de capitais ainda opera com camadas muito fragmentadas entre cadastro, formalização e emissão de ativos”, explicou Amato. A goLiza resolve exatamente esse ponto: a fintech é especializada em cadastro e formalização de operações, etapas que hoje precisam ser feitas em diferentes plataformas e que acumulam burocracia desnecessária para quem emite ou distribui ativos.
O mercado que a Laqus quer ocupar não é pequeno. O setor de fundos no Brasil movimenta R$ 10 trilhões. A nota comercial, instrumento criado em 2021, é uma das principais frentes onde a depositária concorre diretamente com a B3.
Sergio Penna, fundador da goLiza (empresa que nasceu com apoio da Fisher Venture Builder), entra como parte do time da Laqus após a aquisição. O percentual de participação de cada lado com a troca de ações não foi revelado.
Por que isso importa pro assessor
O mercado de infraestrutura de capitais no Brasil operou por décadas com pouco ou nenhum concorrente real para a B3 nas funções de custódia e depositária. A Laqus mudou esse cenário, e cada aquisição que ela faz consolida um ecossistema que pode, ao longo do tempo, criar mais opções de emissão e distribuição de ativos para escritórios que trabalham com crédito privado, CRIs, CRAs e notas comerciais.
Para o assessor que atende clientes com exposição a crédito estruturado, o crescimento de um player alternativo é positivo: mais competição em infraestrutura tende a reduzir custos e destravar operações que hoje emperram pela concentração num único depositário. Quem estiver no mato alto agora sem entender o que está se formando vai perder a janela quando o mercado de captação de empresas médias via nota comercial ou debênture abrir mais.
Minha leitura
O que a Laqus está construindo não é só uma empresa de infraestrutura. É um argumento contra a concentração que existe desde que o mercado de capitais brasileiro começou a crescer de verdade. Isso sinaliza que o ecossistema de emissão de ativos vai se profissionalizar mais nos próximos anos. Para o assessor que trabalha com crédito privado e estruturação, vale acompanhar de perto: quando a infraestrutura fica mais barata e menos burocrática, o mercado de captação de empresas médias via nota comercial ou debênture abre oportunidades que hoje ficam presas pela falta de concorrência. O jogo aqui está no começo.
Fonte: Exame





