XP vence 8º prêmio da Folha: o que muda pro assessor?
A XP ganhou pelo oitavo ano consecutivo o “O Melhor de S. Paulo” da Folha, na categoria Melhor Assessoria de Investimentos. O prêmio veio com discurso de “três ondas de inovação”, modelos de relacionamento múltiplos e poder de escolha do investidor. O brand foi reforçado. O comunicado saiu. O assessor continua na mesa.

O que aconteceu
Pelo oitavo ano seguido, a XP Investimentos foi eleita Melhor Assessoria de Investimentos no prêmio “O Melhor de S. Paulo”, conduzido pela Folha de S. Paulo. A premiação foi divulgada em abril de 2026 e representa a sequência mais longa da empresa nessa categoria.
Guilherme Sant’Anna, Diretor de Distribuição e Segmentos da XP Inc., celebrou o resultado: “Ser reconhecida pela oitava vez consecutiva mostra que esse modelo vem sendo construído de forma consistente. Ao longo dos anos, evoluímos no acesso, na formação dos assessores e em como servimos o investidor. Esse reconhecimento indica que essa evolução é percebida por quem está na linha de frente.”
A empresa atribui a conquista ao que chama de “três ondas de inovação”. A primeira foi a criação da plataforma aberta, que expandiu o acesso a produtos antes restritos a clientes de grandes bancos. A segunda foi a introdução da figura do Assessor de Investimentos, deslocando o foco de produtos para organização patrimonial. A terceira é a “excelência no atendimento ao cliente”, com modelos simultâneos de relacionamento: transacional, fee-fixo e consultoria dentro do mesmo ecossistema.
O argumento central da XP é que o investidor pode escolher o modelo que faz mais sentido pra ele em diferentes fases da vida, tudo dentro de uma única plataforma, sem precisar trocar de casa.
Por que isso importa pro assessor
O prêmio reconhece a marca e a plataforma, não o assessor individual. Quem faz o atendimento no dia a dia é o assessor, mas o nome no troféu é o da empresa.
Para quem trabalha dentro desse ecossistema, o comunicado tem implicações práticas. A XP reforça que oferece os três modelos de forma simultânea, incluindo fee-fixo e consultoria. Isso significa que o cliente pode, eventualmente, questionar qual modelo está sendo recomendado pra ele, e o assessor precisa ter a resposta preparada. Quem aloca produto no cliente que teria perfil de fee-fixo vai ter essa conversa cedo ou tarde.
O “ecossistema único” também é uma afirmação estratégica: a XP sinaliza que quer ser a plataforma onde o assessor fica, independentemente do modelo de remuneração que ele adotar. Para o assessor que está avaliando migrar pra consultoria, o recado é que a XP está montando estrutura pra absorver esse movimento internamente, em vez de perder o profissional.
Outro ponto: o prêmio é votação popular em São Paulo, o que mede percepção de marca junto ao investidor de varejo, não satisfação do assessor que opera na mesa. São métricas diferentes, pra perguntas diferentes.
Minha leitura
O que vale observar não é o prêmio em si, mas a aposta que a XP está fazendo com a terceira onda. A empresa está sinalizando que o fee-fixo e a consultoria vão crescer dentro da plataforma. Isso é relevante pra quem quer migrar sem precisar ir pra outro escritório.
Mas o contrato é o contrato. O non-compete, o non-solicit, o produto do mês, a câmara de arbitragem, o repasse que a casa decide – isso não muda com prêmio nenhum. Quem ficou no velocidade de cruzeiro esperando que o brand da plataforma resolvesse as condições do próprio contrato está lendo o documento errado.
O jogo aqui é outro: a XP está apostando que consegue ser a plataforma do assessor fee-based também, sem que ele precise sair. Os próximos 24 meses vão mostrar se esse modelo aguenta a prova real.
Fonte: InfoMoney





