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NOTÍCIA

Ibovespa caiu 7,22% em maio. Os insiders compraram R$ 812 milhões

Enquanto o Ibovespa amargava o pior mês desde fevereiro de 2023, controladores e executivos compravam R$ 812 milhões das próprias ações na B3.

Executivo assinando ordem de compra de ações com gráfico de queda ao fundo

Ibovespa caiu 7,22% em maio. Os insiders compraram R$ 812 milhões

Enquanto o Ibovespa amargava a pior performance mensal desde fevereiro de 2023, os controladores, executivos e conselheiros das próprias companhias da B3 estavam comprando suas ações. R$ 812 milhões em compras líquidas, 487 transações distintas no mês de maio. Dado divulgado pela CVM e mapeado pelo Itaú BBA.

Executivo assinando ordem de compra de ações com gráfico de queda ao fundo

O que aconteceu

O Itaú BBA mapeou o comportamento dos insiders corporativos na B3 em maio com base nos dados da CVM. O resultado chama atenção: em plena queda de 7,22% do Ibovespa, o grupo formado por controladores, diretores e membros de conselho das empresas cobertas pelo banco foi comprador líquido de R$ 812 milhões em 487 transações distintas.

O detalhe do breakdown conta parte da história. Acionistas controladores compraram R$ 850 milhões líquido. A gestão executiva ficou levemente vendedora, com R$ 20 milhões em vendas líquidas. O conselho de administração no mesmo patamar, R$ 20 milhões em vendas. Quem tem convicção de longo prazo nas empresas, os controladores, foi em frente.

Quatro papéis se destacaram em termos de compra de insiders como percentual das ações em circulação: Hypera (HYPE3) com 1,4%, Cobasi (AUAU3) e Rede D’Or (RDOR3) com 0,9% cada, e JHSF (JHSF3) com 0,7%.

O setor de saúde liderou em volume absoluto: R$ 934 milhões em compras, equivalente a 75,5 pontos-base do valor de mercado do setor. Do outro lado, materiais básicos foi o único com vendas líquidas relevantes: R$ 18 milhões. No acumulado do ano, utilities e saúde lideraram as compras de insiders; consumo discricionário e energia tiveram as maiores vendas líquidas.

O contexto de maio torna os números mais relevantes. Volatilidade geopolítica, impacto nos preços de combustíveis e ruído eleitoral doméstico derrubaram o Ibovespa 7,22%. A última vez que o índice caiu mais do que isso num mês foi fevereiro de 2023, quando recuou 7,49%.

Por que isso importa pro assessor

Cliente vai perguntar se é hora de comprar ou segurar. O comportamento dos insiders é um dos poucos sinais não-ruidosos que existem: esses caras têm obrigação de declarar toda compra à CVM e pagam caro se errar na divulgação.

Quando o controlador de uma empresa compra 1,4% das ações em circulação num mês ruim como foi maio, não está especulando. Está apostando no próprio negócio com dinheiro próprio, sujeito a prazo de carência e divulgação pública. Skin in the game de verdade. Esse sinal não garante nada, mas no mínimo vale entrar no radar de qualquer assessor que tem cliente com exposição a renda variável.

Minha leitura

O dado mais relevante aqui não é o volume total. É quem comprou. Controladores compraram em massa. Executivos e conselheiros venderam uma fração pequena, provavelmente realização de opções de longo prazo. A assimetria é clara.

Isso sinaliza que, na visão de quem conhece os números por dentro, o valuation de maio estava atrativo pra quem tem horizonte longo. Não é sinal de que o mercado vai subir em junho, mas é sinal de que a tungada de maio não gerou pânico entre quem de verdade conhece as empresas.

Fonte: Money Times

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