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NOTÍCIA

FIDC cresce 36% em 2026 e bate R$ 41 bi: o que o assessor precisa saber

De janeiro a maio de 2026, os FIDCs captaram R$ 41,7 bi com 406 emissões. Crescimento de 36,5% que muda o mapa do crédito privado.

Mesa de analista financeiro com monitores de mercado de crédito e caderno de anotações

FIDC cresce 36% em 2026 e bate R$ 41 bi: o que o assessor precisa saber

De janeiro a maio de 2026, os FIDCs captaram R$ 41,7 bilhões em 406 emissões. Crescimento de 36,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando o instrumento havia movimentado R$ 30,51 bilhões. O FIDC já ultrapassou CRIs, CRAs e FIIs em volume emitido e está colado nas debêntures, que lideraram com R$ 146,3 bilhões. As debêntures, por sinal, recuaram 5,9%.

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O que aconteceu

Os dados são da Anbima, referentes aos primeiros cinco meses de 2026. O mercado de capitais como um todo captou R$ 283 bilhões, crescimento de 14,1% frente ao mesmo período de 2025. No meio desse número, o FIDC se destaca como o instrumento com maior crescimento percentual.

A diferença de volume entre FIDCs e debêntures encolheu cerca de 26% em relação ao ano anterior. Em 2025, os FIDCs tinham movimentado R$ 30,51 bilhões no mesmo período. Em 2026: R$ 41,7 bilhões. As debêntures foram na direção contrária, recuando para R$ 146,3 bilhões com queda de 5,9%.

Para completar o cenário do mercado de capitais: os follow-ons de renda variável captaram R$ 13,8 bilhões, alta de 294% ante 2025. No mercado externo, empresas brasileiras emitiram US$ 20,2 bilhões em renda fixa, crescimento de 46,2%.

O FIDC funciona como porta de entrada para empresas de menor escala que ainda não conseguem emitir debêntures diretamente no mercado. Com 406 emissões em 5 meses – frente a 237 emissões de debêntures no mesmo período – o instrumento está sendo usado por uma base de emissores muito mais larga. São empresas com histórico de crédito mais curto, menor estrutura de governança, que chegam ao mercado pela estrutura do fundo de direitos creditórios.

Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação da Anbima, destacou “um mercado de capitais mais completo e com capacidade de atender diversos cenários.” A leitura oficial é de maturidade do mercado. Mas maturidade e homogeneidade de risco são coisas diferentes.

Por que isso importa pro assessor

Crédito privado já não é só debênture e CRI. O assessor que monta carteira de renda fixa sem olhar FIDC está ignorando o instrumento que mais cresce no mercado. Quem não tem FIDC no radar para cliente que busca crédito privado está deixando dinheiro na mesa para o concorrente que já estrutura.

Mas crescimento rápido tem dois lados. Com 406 emissores em 5 meses, a qualidade dos cedentes varia muito. FIDC não é produto homogêneo. A qualidade da carteira de recebíveis por trás de cada fundo determina o risco real. Dois FIDCs com rating parecido podem ter perfis completamente diferentes dependendo de quem são os devedores e qual é a qualidade do cedente.

A pergunta prática: seu cliente tem crédito privado na base? Se tem, qual percentual está em FIDC? O instrumento cresceu, mas a diversidade de qualidade cresceu junto.

Minha leitura

O FIDC virou mainstream. Isso é bom para o mercado de capitais – mais instrumento, mais empresa acessando crédito, mais diversificação. Para o assessor que recomenda crédito privado, o trabalho de análise ficou mais pesado.

Vale atenção especial às emissões de empresas sem histórico em debêntures. São exatamente as que entram primeiro pelo FIDC – e são as que mais precisam de análise antes de alocar para o cliente. O crescimento do instrumento vai estar em todo relatório de banco daqui pra frente. O que não vai estar é a análise do risco de cada emissor. Essa parte é do assessor.

Fonte: InfoMoney

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