BTG chega a R$ 130 bi em family office e já mira a América Latina
O BTG Pactual terminou a integração de duas aquisições que mudaram seu tamanho no segmento de grandes fortunas – Julius Baer Brasil e a área de wealth da JGP, de André Jakurski – e chegou a R$ 130 bi em family office. Eram R$ 40 bi antes das compras. As duas operações somaram R$ 78 bi. O banco não para aí.

O que aconteceu
O BTG Pactual integrou, em pouco mais de um ano, a operação brasileira do banco suíço Julius Baer e a área de wealth da JGP, gerida por André Jakurski. Essa movimentação levou o family office do banco de R$ 40 bi para R$ 130 bi em patrimônio sob custódia. O total de wealth management do BTG chega a R$ 1,2 tri.
A integração da Julius Baer exigiu enxugamento. Quarenta por cento do quadro de backoffice e TI foi cortado no processo. A JGP entrou com retenção total dos profissionais. Jakurski assume o posto de chairman do comitê de investimentos do family office.
Fora do Brasil, o BTG opera com 70 profissionais nos EUA (Nova York e Miami) e 40 em Luxemburgo, além de escritórios em Lisboa, Madri e Londres. O banco acumula US$ 35 bi em recursos offshore e tem uma operação europeia de €3,5 bi. Em 2024, adquiriu a Greytown Advisors, em Miami, com US$ 1 bi sob gestão, e assumiu a operação do HSBC no Uruguai.
Rogério Pessoa, sócio e global head de wealth management do BTG, sinaliza que a meta agora é construir a maior plataforma de family office da América Latina. O banco já está presente em México, Chile, Colômbia, Peru, Argentina e Uruguai.
O campo está movimentado. O Santander lançou o Beyond Wealth e captou US$ 6 bi em menos de um ano, com R$ 300 bi em grandes fortunas sob gestão. O Itaú carrega R$ 1,1 tri nesse segmento. O UBS Consenso tem estimados R$ 250 bi.
Por que isso importa pro assessor
O jogo de consolidação no wealth high-end está acelerado. Quem atende clientes com patrimônio acima de R$ 5MM precisa entender que os grandes players estão estruturando plataformas próprias de family office – com independência de gestão, presença offshore e times especializados. Isso cria dois cenários para o assessor: ou você aprimora o serviço que oferece pra não perder o cliente pra esse nível de estrutura, ou você usa essa tendência como argumento de posicionamento (“meu planejamento patrimonial já considera o que esses players oferecem globalmente”).
Para quem trabalha ou pensa em trabalhar no BTG ou no segmento de grandes fortunas, a sinalização é clara: o banco está montando máquina. Presença internacional, integração de operações pesadas, time crescendo. É outra escala de atuação.
Minha leitura
BTG trocando pneu com o carro andando – integrou dois deals grandes em um ano e já mapeou expansão regional. Vale atenção a um detalhe: o corte de 40% na Julius Baer mostra que a aquisição trouxe gordura, e o banco não teve cerimônia. Quem está num escritório que passou por M&A recente sabe como isso funciona na pele.
O movimento pra América Latina faz sentido estrutural: o mercado brasileiro de wealth está maduro e competitivo, e a margem de crescimento está na região. Isso sinaliza que a guerra por cliente patrimonial vai aumentar de intensidade nos próximos anos. Assessor que não tem proposta de valor clara vai sentir no bolso.
Fonte: NeoFeed





