Emissões externas somam US$ 24,8 bi em 2026: recorde e o que sinaliza
As emissões de dívida brasileira no exterior movimentaram US$ 24,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, maior volume desde 2014. Os dados são da Anbima, divulgados nesta segunda-feira (27).

O que aconteceu
O crescimento em relação aos anos anteriores é expressivo: no primeiro semestre de 2025 foram US$ 17 bilhões; no mesmo período de 2024, US$ 14 bilhões. Em dois anos, o volume praticamente dobrou.
Quem puxou o crescimento foi o governo federal. A União emitiu US$ 14,6 bilhões no semestre, incluindo uma operação de €5 bilhões realizada em abril. As empresas, por outro lado, recuaram de US$ 8,4 bilhões (1º semestre de 2025) para US$ 7,7 bilhões. As instituições financeiras caíram de US$ 3,6 bilhões para US$ 2,5 bilhões no mesmo período.
Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, contextualizou o número: “Estamos vindo de dois anos de recuperação importantes e no primeiro semestre deste ano continuou essa tendência.”
A redução nas captações corporativas e de instituições financeiras reflete dois movimentos: problemas pontuais em algumas dívidas de empresas e uma preferência crescente pelo mercado de capitais doméstico, onde o custo está atrativo para emissores com grau de investimento.
Por que isso importa pro assessor
Quando o governo vai buscar dinheiro no exterior em volume recorde, está na prática aliviando pressão no mercado doméstico. Sem essa captação externa, o Tesouro precisaria de mais compradores locais de NTN-B e LFT, o que empurraria taxas ainda mais para cima.
Para o assessor com cliente em renda fixa longa, isso é sinal relevante: a oferta doméstica de papéis do governo não está descontrolada porque parte do financiamento saiu pela janela internacional. Esse fator pode segurar as taxas do Tesouro Direto nos níveis atuais por mais tempo do que o mercado precifica, mas não é garantia de nada.
O recuo das empresas nas emissões externas merece atenção de quem tem crédito privado na carteira. Menor acesso a captação fora pode significar mais pressão por crédito doméstico, potencialmente aumentando spreads ou deteriorando a qualidade dos emissores que aparecerem nas próximas ofertas de CRI, CRA e debêntures incentivadas.
Minha leitura
US$ 24,8 bilhões captados lá fora pelo Brasil em seis meses é número que pede leitura fria. O recorde não é celebração: é o governo aproveitando janela de demanda internacional antes que ela feche. A queda das empresas na mesma janela é sinal de que o crédito privado está seletivo. Quem tem cliente com exposição em debêntures de empresas mid-cap vale checar os vencimentos e a qualidade dos emissores com mais cuidado. O mato alto no crédito privado doméstico não sumiu.
Fonte: Money Times





