Casas Bahia na RJ com R$ 17,3 bi: o que checar na sua base agora
O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo no domingo (16 de agosto). Passivo total: R$ 17,3 bilhões. É a segunda reestruturação do grupo em dois anos. Em 2024 já haviam renegociado R$ 4,1 bilhões em dívida extrajudicial, e não segurou. Agora o processo é judicial, com todos os credores dentro e um plano que vai ter que convencer o juiz. Para o assessor com cliente exposto ao grupo, o jogo mudou.

O que aconteceu
O pedido foi protocolado na noite de domingo e abrange o Grupo Casas Bahia e mais nove entidades do grupo: Cnova, Indústria de Móveis Bartira, Casas Bahia Tecnologia, ASAP Log e Cntlog Express, entre as principais.
O passivo total declarado é de R$ 17,3 bilhões. A composição:
- R$ 16,4 bilhões com credores quirografários (sem garantia real, a massa geral)
- R$ 754 milhões em dívidas trabalhistas
- R$ 154 milhões com micro e pequenas empresas
No segundo trimestre de 2026, o grupo registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, referente ao período de abril a junho. Grande parte desse número vem de ajustes contábeis extraordinários de R$ 9,1 bilhões, reflexo direto de ativos sendo reavaliados para baixo com a deterioração do negócio. O fechamento de 298 lojas, anunciado anteriormente, já dava o sinal do tamanho do problema.
O que torna essa RJ mais grave do que parece é o histórico recente: em 2024, o grupo já havia passado por recuperação extrajudicial, renegociando R$ 4,1 bilhões em dívidas institucionais. Na época, a tese era que a reestruturação combinada com redução de custos estabilizaria as finanças. Não estabilizou. Dois anos depois, o passivo cresceu, e o caminho foi o judicial. Grupo que já renegociou extrajudicialmente e volta para o caminho judicial está num nível diferente de dificuldade, e o mercado sabe disso.
A empresa afirma que vai manter as operações normais em lojas físicas, e-commerce e demais canais ao longo do processo, com foco em negócios de maior margem e na reestruturação do passivo.
Por que isso importa pro assessor
Casas Bahia tem instrumentos de crédito privado no mercado: debêntures e papéis emitidos pelo grupo e por empresas do grupo. Com a RJ, o pagamento desses instrumentos fica condicionado ao plano de recuperação que vai ser apresentado ao juiz. Não é calote automático, mas é risco concreto: o cronograma pode mudar, haircut pode aparecer, e o assessor que alocou esses papéis na base de clientes precisa estar à frente da conversa.
Além do crédito privado, há quem tenha BHIA3 na carteira. A ação abriu em queda expressiva nesta segunda-feira (17), com investidores reagindo ao anúncio do fim de semana. Clientes expostos estão ligando ou vão ligar.
A regra nesses casos é sempre a mesma: o cliente não pode descobrir antes do assessor. Se há alguém na sua base com exposição ao grupo Casas Bahia, seja via ação, debênture ou outro papel, hoje não é dia de esperar o cliente trazer o assunto. Você traz primeiro.
Minha leitura
Isso sinaliza que recuperação extrajudicial com R$ 4 bilhões renegociados não era solução de balanço. Era postergação. O grupo chegou ao judicial dois anos depois com passivo maior, não menor. Quem tem cliente em crédito privado de varejo físico deve revisar o leque de emissores, não só Casas Bahia. O setor de varejo físico é mato alto há anos, e cada RJ nova eleva o risco percebido dos outros nomes do segmento. Vale atenção redobrada a quaisquer debêntures de varejistas na base.
Fonte: Suno Notícias





