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NOTÍCIA

B3 tem 100 empresas na fila. O IPO não sumiu: sumiu o comprador

B3 tem até 100 empresas prontas para abrir capital, com registro aprovado. O CFO da bolsa diz: o problema não é oferta. É demanda.

Vista aérea do pregão de uma bolsa de valores com telas de cotações ao fundo

B3 tem 100 empresas na fila. O IPO não sumiu: sumiu o comprador

A B3 afirma ter entre 50 e 100 empresas preparadas para abrir capital no mercado brasileiro. Pelo menos 50 delas já têm registro de companhia aberta aprovado. Estão todas esperando o momento certo. Só que, na avaliação do próprio CFO da bolsa, o problema não é falta de candidato. É falta de quem compre.

Vista aérea do pregão de uma bolsa de valores com telas de cotações ao fundo

O que aconteceu

Nos últimos quatro anos, o mercado de capitais brasileiro viveu uma seca. IPOs sumiram, ofertas de ações ficaram raras e uma sequência de empresas decidiu fechar o capital – muitas recomprando ações a preços baixos. É o ciclo previsível: quando o papel está desvalorizado, o empresário sai da bolsa.

A narrativa de que falta papel para comprar na bolsa brasileira está sendo contestada, no entanto, pela própria B3. André Milanez, CFO da bolsa, declarou que há pelo menos 50 empresas com registro de companhia aberta aprovado aguardando janela e que o total de candidatos chega a 100. Todas esperando condições mais favoráveis para acessar o mercado.

O IPO da Compass foi o primeiro sinal de reabertura depois de quatro anos parados. Um dado de fluxo estrangeiro reforça o movimento: no primeiro trimestre de 2026, a entrada líquida de recursos externos chegou a R$ 53,8 bilhões – volume superior ao registrado em todo o ano de 2025.

Mesmo assim, Milanez foi cauteloso. “Acho que está cedo para dizer que o mercado destravou”, afirmou. A Selic em dois dígitos continua tornando a renda fixa mais atrativa para o investidor local. Quem está comprando bolsa agora são principalmente os estrangeiros, que enxergam desconto nos ativos brasileiros.

O diagnóstico foi direto: “O nosso problema não é de oferta, é de demanda.”

Por que isso importa pro assessor

Se você tem cliente com exposição em renda variável – ou cliente que ficou fora da bolsa nos últimos quatro anos por conta da Selic – essa fila de 100 empresas é uma conversa que vai chegar na sua mesa, cedo ou tarde.

O ciclo histórico é claro: quando o mercado destrava, os primeiros IPOs são pra quem já estava posicionado antes. O assessor que não abriu essa conversa com o cliente agora vai correr atrás quando o papel estiver mais caro.

O dado de R$ 53,8 bilhões de entrada de estrangeiro no primeiro trimestre já sinaliza que dinheiro está olhando pro Brasil. Isso afeta preço de bolsa, percepção de risco do país e a conversa de carteira com cliente que ainda está 100% alocado em renda fixa.

Minha leitura

A fila existe. O problema da bolsa brasileira não é estrutural – é cíclico. E ciclo tem data de virada, mesmo que ninguém saiba exatamente quando.

Isso sinaliza que esperar o mercado destavar pra ter a conversa de renda variável com o cliente é estratégia de quem chega atrasado. A preparação precisa vir antes do destravar.

Vale atenção a quem tem cliente com perfil de longo prazo ainda 100% em renda fixa: o argumento de diversificação ficou mais fácil de construir agora que o próprio CFO da B3 confirma que a oferta de ativos existe. O que falta é a demanda local. Quando essa demanda aparecer, o papel vai estar mais caro – e quem não travou essa conversa antes vai deixar dinheiro na mesa.

Fonte: NeoFeed

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