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NOTÍCIA

Gestora de US$ 382bi: crédito privado foi vendido errado e o teste chegou

A Aegon Asset Management, gestora de US$ 382 bilhões, avisa que crédito privado foi comercializado com percepção distorcida de risco. O primeiro teste de fogo chegou.

Sala de operações de gestora global com telas de dados de crédito privado

Gestora de US$ 382bi: crédito privado foi vendido errado e o teste chegou

A indústria global de crédito privado captou US$ 224 bilhões só em 2025 e chegou a US$ 2,3 trilhões. Agora um dos gestores que mais tempo passou dentro dessa indústria está dizendo o que poucos falam em público: o produto foi mal vendido desde o começo.

Sala de operações de gestora global com telas de dados de crédito privado

O que aconteceu

Alexander Pelteshki, gestor de renda fixa da Aegon Asset Management, gestora europeia com US$ 382 bilhões sob gestão, acendeu um alerta sobre os riscos que a indústria de crédito privado escolheu ignorar durante anos de crescimento acelerado.

A avaliação vem num momento crítico. Depois de captar US$ 224 bilhões globalmente em 2025, segundo a S&P Global Market Intelligence, e alcançar uma indústria estimada em mais de US$ 2,3 trilhões, o crédito privado enfrenta o que Pelteshki chama de seu primeiro teste de fogo.

O ponto central do alerta: a narrativa de que crédito privado combina volatilidade muito baixa, retornos muito altos e risco muito baixo é um equívoco. Nas palavras do próprio gestor: “Até agora, o crédito privado foi vendido como algo com volatilidade muito baixa, retornos muito altos e risco muito baixo. É meio que um equívoco.”

Pelteshki construiu carreira no ING Bank em Amsterdã e na mesa de negociação do UBS em Nova York antes de chegar à Aegon, onde está há 12 anos.

Dois vetores de risco que a indústria está subestimando:

Estrutural: crédito privado não tem precificação diária. Sem marcação a mercado frequente, a volatilidade parece baixa, mas o risco subjacente está lá, acumulando. O assessor que olha para a ausência de oscilação no extrato e conclui que “o produto é estável” está lendo o sintoma errado.

Setorial: exposição excessiva a empresas de software que podem ser diretamente atingidas pelo avanço da inteligência artificial. Empresas que hoje sustentam receita com contratos de software corporativo podem ver esse faturamento encolher à medida que IA substitui funções inteiras. No crédito privado, muito capital foi alocado nesse setor nos últimos anos.

Pelteshki não prevê recessão global. A frase exata: “Não acho que estejamos olhando para uma recessão global.” Mas é explícito: “Este será um momento de acerto de contas.”

A Aegon opera no Brasil em parceria com a MAG Investimentos.

Por que isso importa pro assessor

Quem tem crédito privado na base sabe que o produto foi vendido para o cliente com a narrativa de risco baixo e retorno previsível. O problema é que a falta de marcação a mercado diária cria uma ilusão de estabilidade. Quando o ciclo de crédito virar, o extrato vai mostrar o ajuste de uma vez, não em doses diárias.

O assessor que não revisou a exposição dos clientes ao crédito privado nos últimos meses, especialmente em emissores do setor de tecnologia ou software, pode estar carregando risco que nem o cliente nem o escritório estão vendo ainda. Não é hora de zerar crédito privado na carteira. É hora de saber exatamente o que está lá dentro.

Minha leitura

Quem alocou crédito privado na base porque o líder cobrou no produto do mês sabe que a diligência sobre o emissor nem sempre foi a ideal. A indústria cresceu rápido demais e o mato alto não estava visível. O alerta da Aegon não é catastrofismo. É o sinal de quem ficou 12 anos dentro do mercado e entende o que acontece quando o ciclo termina. Vale atenção especialmente pra quem tem emissores de tech no portfólio do cliente.

Fonte: NeoFeed

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