R$ 5 bi no agro: o assessor que foi onde o private bank não foi
A Ghia Multi Family Office saiu de zero em Uberlândia, em 2010, chegou a R$ 5 bilhões sob gestão e quer dobrar esse número até 2028. O combustível não foi São Paulo nem o private tradicional. Foi o produtor rural que viu a terra valorizar 181% em seis anos e começou a se perguntar o que fazer com essa riqueza.

O que aconteceu
A Ghia foi fundada em 2010 pelos sócios Gabriel Cestari e Bruno de Paula, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A casa nasceu com uma tese clara: servir famílias do agronegócio, em sua maioria de primeira ou segunda geração de riqueza, que estavam sendo mal atendidas pelos grandes bancos e pelos escritórios concentrados no eixo Rio-São Paulo.
Hoje a empresa tem escritórios em Uberlândia, Goiânia e Cuiabá, presença em Ribeirão Preto e R$ 5 bilhões sob gestão. O crescimento anual fica entre 30% e 35%. A meta é chegar a R$ 10 bilhões até 2028 e dobrar novamente nos cinco anos seguintes. O tíquete mínimo para entrar como cliente é R$ 5 milhões.
Cestari explica o movimento: “O produtor rural viu que ganhou dinheiro com terra e que sabia ganhar dinheiro com isso.” Mas esse mesmo produtor, ao olhar para o portfólio financeiro, não tinha a mesma clareza. Sabia operar no campo. Não necessariamente no mercado de capitais.
Os números ajudam a entender o tamanho da riqueza que se formou no setor. De dezembro de 2019 a dezembro de 2025, a terra de pastagem no Centro-Oeste saiu de R$ 7.579 por hectare para R$ 21.270 por hectare, valorização de 181%. A terra agrícola foi de R$ 16.834 para R$ 47.604 por hectare, alta de 183%. No mesmo período, o CDI entregou 73% e o Ibovespa, 39%.
Quem tem 10.000 hectares de pastagem viu o patrimônio imobiliário saltar de R$ 75 milhões para R$ 212 milhões. Esse dinheiro precisa de gestão. E a Ghia foi quem apareceu na porta certa.
A empresa cresceu de forma orgânica até agora, mas avalia aquisições estratégicas para acelerar a expansão nas próximas etapas.
Por que isso importa pro assessor
O interior do Brasil está cheio de gato gordo com riqueza imobiliária que acabou de virar riqueza líquida. Produtor que vendeu fazenda, filho de fazendeiro que herdou e quer diversificar, sócio de cooperativa com dividendos expressivos nos últimos anos. Esse público existe e está mal atendido fora dos grandes centros.
Assessor que trabalha em praças do interior ou em escritórios com alcance regional tem um mercado à disposição que os grandes private banks de São Paulo não cobrem com qualidade. A questão não é “tem dinheiro aqui?” A questão é quem vai chegar primeiro com uma proposta séria de planejamento patrimonial para esse perfil específico.
Minha leitura
O que a Ghia fez não é maluquice. É o óbvio que a maioria ignorou. Enquanto todo escritório brigava pelo mesmo cliente de São Paulo e Rio, eles foram para onde a riqueza estava se formando, não onde ela já estava organizada.
Isso sinaliza algo que repito há um tempo: nicho não é limitação, é vantagem competitiva. Especializar no produtor rural, no médico do interior, no empresário da construção civil fora do eixo é um mercado grande com poucos assessores de qualidade disputando.
Vale atenção a um detalhe: a Ghia cresceu orgânico. Não comprou carteira. Construiu reputação dentro de uma comunidade específica, onde indicação é tudo e o erro não tem como esconder. O jogo ali é de confiança, não de produto. Quem entende isso antes de entrar no mercado sai na frente.
Fonte: NeoFeed


